Relic

Elogiado pela maioria da crítica, mas a criar divisões entre os espectadores, Relic, uma produção australiana que marca a estreia da realizadora Natalie Erika James, tem sido um dos filmes mais falados neste último mês. Um filme de terror que prometia ter elementos em comum com dois dos filmes que mais marcaram o género na última década, The Babadook e Hereditary, Relic parecia ter rumo seguro em direcção ao sucesso, mas seriam as expectativas elevadas criadas em torno do filme prejudiciais à apreciação do espectador? Estaria Relic à altura do duo de clássicos do terror modernos aos quais é comparado? Continue reading “Relic”

The Outsider

E eis que nos chega mais uma adaptação de uma obra do prolífico Stephen King, desta feita em formato de mini-série, com o selo de qualidade da HBO. The Outsider é o nome dessa aposta mais recente da HBO e o seu elenco prometia, contando com nomes como Ben Mendelsohn, Cynthia Erivo e Jason Bateman. Para além disso, os trailers prometiam um cheirinho a True Detective, mas com a mão do famoso escritor norte-americano, mais conhecido pelos seus romances de terror. A HBO raramente desaponta, mas o que sairia daqui? Continue reading “The Outsider”

Doctor Sleep

Em 1980, via a luz do dia aquele que é, a meu ver, o melhor filme de terror da história. Baseado na obra homónima de Stephen King (mas com um argumento que extirpa muitos dos seus Kingismos), e com a direcção do genial Stanley Kubrick, The Shining é um marco na história do cinema e também na minha vida. Cravejado de imagens, sons e frases marcantes, e contando com um Jack Nicholson extraordinário no papel do protagonista Jack Torrance, é quase impossível algum filme chegar aos calcanhares de The Shining. Um filme que exsuda qualidade e inquietude… mas que, curiosamente, o rei do terror, talvez incomodado por tantas mudanças à sua obra e ao espírito da mesma, sempre desdenhou. O livro de King era bom, mas o filme de Kubrick foi superlativo, transcendendo fronteiras de género e nicho. Seria quase sacrilégio fazer uma sequela. Continue reading “Doctor Sleep”

Midsommar

Num regresso bastante rápido após o sucesso surpresa que teve em 2018 com Hereditary, o promissor Ari Aster regressa com Midsommar. Estaria a sua segunda longa-metragem à altura da primeira, que eu apreciei bastante, ou seria um passo em falso para Aster? Os trailers transmitiam um misto de estranheza e beleza, mas nada de alarmantemente assustador… Assim foi com curiosidade (e expectativa), que me dirigi ao cinema mais próximo para ver um filme que já aguardava para ver há uns meses (enorme desfasamento em relação aos cinemas norte-americanos). Continue reading “Midsommar”

It Chapter Two

Aproximadamente dois anos após o bem sucedido lançamento de It para as salas de cinema, eis que o segundo e derradeiro capítulo do épico de terror de Stephen King encontra a luz do dia. Uma vez mais com Andy Muschietti ao leme, It mantinha o elenco juvenil e acrescentava nomes famosos ao elenco adulto (Jessica Chastain, James McAvoy, Bill Hader), aumentando também em muito a escala da história ao ter uma duração de praticamente três horas, algo muito invulgar em filmes de terror, mas que se coadunava ao enorme livro de King. O primeiro capítulo tinha apresentado divergências consideráveis em relação ao material de base… que versão da história teríamos agora? O sucesso seria o mesmo? Continue reading “It Chapter Two”

Pet Sematary

Uma das obras mais famosas do prolífico Stephen King, Pet Sematary, regressa aos cinemas trinta anos após ter sido adaptada pela primeira vez. Um estudo sombrio sobre a aceitação (ou falta dela) da finitude da morte, Pet Sematary é ainda, até aos dias de hoje, considerado como um dos livros mais pessimistas e negros de King. E numa fase em que as adaptações do residente no Maine estão em alta, tanto em filmes (e séries) que já saíram, como outros que ainda estão para sair, era natural que Pet Sematary fosse uma das escolhas mais óbvias para uma actualização aos tempos modernos, sendo o original um filme já muito datado e que não se deu bem com a passagem do tempo. Mas as adaptações de King, tanto no passado, como no presente, têm tido uma mistura de altos e baixos, e até há bem pouco tempo havia uma predominância de pontos baixos. Teríamos um completo fiasco como The Dark Tower ou um sucesso como It? Ou algo a meio de ambos? Continue reading “Pet Sematary”

Us

Dois anos após o sucesso crítico e comercial com Get Out, eis que Jordan Peele regressa com a sua muito aguardada segunda longa-metragem. Us trazia nomes como Lupita Nyong’o, Winston Duke (ambos entraram recentemente em Black Panther) e a protagonista de The Handmaid’s Tale, Elisabeth Moss, mas será que estaria ao mesmo nível do debut de Peele? É sabido que nem sempre realizadores conseguem dar sequência a um forte início de carreira, seria este o caso com Peele? Continue reading “Us”

Hereditary

Nos últimos anos, temos assistido a um fenómeno interessante: quase todos os anos sem excepção tem saído pelo menos um filme que pode ser definido com arthouse horror. Após filmes como The Babadook (2014), It Follows (2014), The Witch (2015), Get Out (2017), It Comes at Night (2017) em que se junta o talento óbvio de realizadores praticamente estreantes ao apelo alternativo dos filmes que lançaram, muitas vezes fugindo às fórmulas repetidas até à exaustão no passado, eis que nos chega o primeiro filme de Ari Aster, Hereditary, para levar a marca de filme de terror a ver em 2018 (A Quiet Place que também marca a estreia de John Krasinski também pode merecer esse tipo de louvores, mas acaba por ser um filme menos controverso). Aster já se tinha salientado nas suas duas curtas-metragens, The Strange Thing About the Johnsons e Munchausen, mas faltava saber como se comportaria num filme com mais de duas horas. Por outro lado, com Hereditary houve um claro fosso entre críticos (que adoraram o filme em geral) e audiências (que detestaram o filme), algo que já ocorrera por exemplo com The Babadook e The Witch. E assim, com cerca de seis meses de atraso em relação ao resto do mundo, parti à descoberta daquele que alguns críticos proclamam ser o novo The Exorcist. Continue reading “Hereditary”

Overlord

Com produção do ubíquo J. J. Abrams e realização do quase estreante Julius Avery, Overlord prometia uma atmosfera de filme série B, mas com um orçamento bem acima do típico para esse subgénero de filmes. Depois de uns trailers que não me impressionaram, foi com alguma surpresa que vi que a recepção ao filme estava a ser, no geral, positiva. Indeciso entre ver Overlord ou The Girl in the Spider’s Web resolvi dar uma chance ao que tinha tido melhores reviews. Valeu a pena a minha opção? Continue reading “Overlord”

Halloween

Quatro décadas após o original, eis que temos nas salas de cinema a décima primeira sequela de Halloween… mas desta vez os produtores resolveram fazer algo diferente, depois de os direitos sobre a franchise terem voltado à Miramax que se associou à produtora Blumhouse (dona das franchises Insidious, The Purge e Paranormal Activity, entre outras, mas também de filmes como Get Out ou Whiplash). Com o aval de John Carpenter, a ideia do comediante Danny McBride e de Jeff Fradley passava por fazer uma nova continuidade a partir do filme original, apagando todas as nove sequelas precedentes da mesma. O filme seria intitulado, com muito pouca imaginação, Halloween, exactamente como o original. Jamie Lee Curtis regressava para o seu papel mais icónico como Laurie Strode e a banda sonora seria do próprio Carpenter (com o auxílio do seu filho Cody e de Daniel Davies). A realização estaria a cargo de outra pessoa mais habituada a comédias, David Gordon Green. A promessa era voltar mais ao espírito quase voyeurístico do original, em que o antagonista Michael Myers se desloca através das sombras, sem nunca abusar da violência explícita, algo descurado na maioria das sequelas. Mas seria atingido o objectivo? Continue reading “Halloween”