Mr. Nobody (2009)

Continuam as salas de cinema fechadas, continuam também as minhas retro reviews e hoje trago-vos Mr. Nobody.

Saído em 2009, Mr. Nobody prometia muito e abordava temas muito do meu agrado, dentro do vasto campo da ficção científica. Desde o sentido da vida à teoria do caos, passando pela natureza do espaço, do tempo e do universo, incluindo um multiverso de realidades paralelas, Mr. Nobody continha todos os ingredientes para ser um bom filme de ficção científica. Para além disso, havia uma curiosa peculiaridade, o filme tinha um realizador belga (Jaco Van Dormael) e era uma co-produção de quatro países, e à já referida Bélgica, uniam-se Canadá, Alemanha e França, a que se somava um elenco internacional liderado por nomes como Jared Leto e Diane Kruger. Mas na prática, seria Mr. Nobody um bom filme ou apenas um desfile de conceitos? Continue lendo “Mr. Nobody (2009)”

Snowpiercer (2013)

2020 é ano que viu cinemas encerrarem por causa da pandemia de coronavírus, mas também é o ano que consagrou o sul-coreano Bong Joon-ho e o seu Parasite nos Oscars, para surpresa de muitos. Aliando o reconhecimento da Academia à presente impossibilidade de me deslocar às salas de cinema, resolvi dar a minha opinião acerca de Snowpiercer, a primeira verdadeira incursão de Bong pelo cinema mais internacional e que lhe começou a dar maior notoriedade no Ocidente, e um filme de culto por seu próprio direito, tendo sido este ano lançada uma série baseada no filme. É ainda o regresso da minha parte a uma rubrica deste blog após um interregno de dois anos e meio, as retro reviews. Continue lendo “Snowpiercer (2013)”

Westworld – Season 3

(Esta review contém alguns spoilers ligeiros para quem não viu as temporadas anteriores)

Westworld, uma das séries com maior potencial para preencher o nicho deixado por Game of Thrones na HBO está de volta com a sua terceira temporada. Mas como é que Westworld continuaria Continue lendo “Westworld – Season 3”

Devs

Alex Garland, o realizador e argumentista de dois dos mais interessantes filmes de ficção científica dos últimos anos (Ex Machina e Annihilation) está de regresso. Mas desta vez, Garland não nos traz um filme, mas sim uma série, ou se quisermos ser mais precisos, uma minissérie. Continue lendo “Devs”

Watchmen (2019)

Em 1987, Alan Moore e Dave Gibbons completavam um dos momentos mais marcantes da história dos comics, Watchmen. Amoral e existencialista, a obra escrita por Moore assentava principalmente na desconstrução da figura do super-herói, assinalando uma viragem no mundo dos comics, rumo a uma maturidade nunca antes vista (algo que também teve o contributo de Frank Miller e o seu tratamento de Batman, quase contemporaneamente). Duas décadas depois, Zack Snyder adaptou, de forma razoavelmente fiel, a obra ao cinema. Moderadamente bem recebida por fãs e críticos, a versão cinematográfica de Snyder pecava por alguns pecados de casting (em especial com Ozymandias e Silk Spectre II), mas brilhava no campo dos efeitos especiais e da estética. Continue lendo “Watchmen (2019)”

Star Wars: The Rise of Skywalker

Se bem se recordam, fui das poucas pessoas que gostou de The Last Jedi em 2017. Mas nunca duvidei por um momento que as razões pelas quais muitos odeiam o filme (e eu apreciei), nomeadamente as múltiplas e controversas alterações que certas personagens sofrem, bem como o facto de algumas das escolhas tomadas por Rian Johnson serem extremamente drásticas e irreversíveis. Já nessa altura se antevia que J. J. Abrams teria uma tarefa hercúlea pela frente de modo a fazer um filme que ainda fizesse sentido depois de The Last Jedi… e este era o problema primário… O problema secundário, mas não menos importante, foi o modo como a maior parte dos fãs de Star Wars quase renegaram o filme de Rian Johnson, colocando a Disney, na figura da controversa Kathleen Kennedy e também Abrams, entre a espada e a parede. Como fazer um filme simultaneamente com lógica, mas seguro, sem poder apagar o desvio de rota que Johnson tinha efectuado em The Last Jedi? Como fechar uma trilogia com sucesso? Seria o nono filme da saga Skywalker um presente envenenado? Continue lendo “Star Wars: The Rise of Skywalker”

Terminator: Dark Fate

Terminator 2: Judgement Day é provavelmente um dos filmes mais marcantes da minha adolescência. Judgement Day foi uma sequela praticamente perfeita para o filme que lançou James Cameron para a ribalta, o inovador misto de ficção científica e acção Terminator, de 1984, conseguindo mesmo superar o filme original, na minha opinião, tendo ao leme um Cameron já mais maduro e seguro de si… Mas depois a franchise começou a encalhar. Continue lendo “Terminator: Dark Fate”

Ad Astra

Tem-se tornado nos últimos anos uma tradição de Hollywood lançar um filme na segunda metade do ano de ficção científica (ou no caso de First Man, um filme que passa boa parte do tempo no espaço) com um orçamento razoável, tendo também em comum na sua maioria orçamentos impressionantes e até candidaturas a prémios. Ad Astra é o filme de 2019 que preenche esse nicho. James Gray, o realizador que deu o salto para a fama com Little Odessa em 1994 e que mais recentemente lançou o biopic The Lost City of Z, tinha nas suas mãos o enorme projecto, o seu primeiro de ficção científica, tendo escolhido como protagonista um nome sonante, Brad Pitt. Os trailers tinham impressionado visualmente, mas ainda mais impressionantes foram os elogios da crítica, por exemplo no festival de Cannes. Foi por isso, e não só, que eu próprio cumpri a minha tradição anual de ver estes filmes no tamanho que merecem, um cinema IMAX. Mas saí da sala de acordo com a crítica? Continue lendo “Ad Astra”

Stranger Things – Season 3

Em 2016, a Netflix descobriu que tinha ouro nas suas mãos quando lançou Stranger Things, uma série que capitalizava as suas forças numa estética fiel aos anos 80 (algo muito em voga na altura em que se comemoram quase trinta anos sobre o fim dessa década formativa na infância e adolescência de muitos, eu incluído) e num enredo em tudo similar a obras de autores como as de Stephen King, Steven Spielberg e John Carpenter. Mas o maior segredo revelado com Stranger Things foi a performance que lançou a jovem (tinha apenas 11 anos quando a série foi rodada) Millie Bobby Brown para o estrelato (ou assim se espera) e ressuscitou a carreira de Winona Ryder, para além da revelação tardia do talento de David Harbour, isto aliado a um elenco juvenil talentoso e um suspense muito bem gerido ao longo da temporada, que se devorou rapidamente. Seguiu-se uma temporada claramente mais fraca e os criadores queixaram-se de ter feito tudo em cima do joelho. Continue lendo “Stranger Things – Season 3”

Alita: Battle Angel

Um projecto deixado na gaveta de James Cameron durante largos anos finalmente vê a luz do dia. Alita: Battle Angel é a adaptação ao cinema de Gunnm, uma manga dos anos 90 da autoria de Yukito Kishiro. Apesar de durante muito tempo se ter dito que seria o próprio Cameron a dirigir o filme, foi Robert Rodriguez (que tem um percurso bem mais irregular entre sucessos e fracassos) a ficar com esse posto, cabendo a Cameron o argumento e a produção de Alita: Battle Angel, contando ainda com a mesma equipa que esteve envolvida com os incríveis efeitos especiais de Avatar. Continue lendo “Alita: Battle Angel”