Marriage Story

Que ano para a Netflix, que apresenta três fortes candidatos a melhor filme do ano, com The Irishman, The Two Popes e com este Marriage Story, já depois de um excelente 2018 com Roma. O poder da plataforma digital aumenta a cada ano que passa, arrastando para debaixo da sua asa nomes cada vez maiores, tanto a nível de direcção como de actores. Mas será que depois de uma derrota algo inesperada nos Oscars para Roma, é este ano que temos vencedor para a Netflix, mostrando que o cinema tradicional está, a pouco e pouco, a perder terreno para as novas tecnologias? Do leque de três filmes que já reinam sobre as nomeações aos Globos de Ouro, Marriage Story parece ser o menino mais bonito para a crítica, com superlativos elogios aos actores, argumento e direcção. Estaria eu de acordo com a maioria das opiniões ou seria Marriage Story apenas um filme mais louvado do que merece e sem nada de novo a acrescentar? Continue reading “Marriage Story”

The Irishman

Treze anos após The Departed, aquele que é considerado por muitos como um dos maiores génios da história do cinema norte-americano moderno está de regresso aos filmes sobre o submundo mafioso. O novo de filme de Martin Scorsese, The Irishman, é um antigo projecto que foi adiado incontáveis vezes, até que finalmente Scorsese decidiu que tinha ao seu dispor a tecnologia necessária para usar sempre os mesmos actores, sem nunca precisar de colocar um actor mais jovem a interpretar o papel. E que melhor elenco poderia ter Scorsese. Ao inevitável Robert De Niro no papel de protagonista, juntavam-se Al Pacino (incrivelmente a ser dirigido pela primeira vez por Scorsese, quase aos 80 anos) e um velho conhecido de clássicos como Goodfellas e Casino, o inconfundível Joe Pesci, que voltou ao activo após longo interregno para não perder a chance de trabalhar novamente com Scorsese. Continue reading “The Irishman”

Stranger Things – Season 3

Em 2016, a Netflix descobriu que tinha ouro nas suas mãos quando lançou Stranger Things, uma série que capitalizava as suas forças numa estética fiel aos anos 80 (algo muito em voga na altura em que se comemoram quase trinta anos sobre o fim dessa década formativa na infância e adolescência de muitos, eu incluído) e num enredo em tudo similar a obras de autores como as de Stephen King, Steven Spielberg e John Carpenter. Mas o maior segredo revelado com Stranger Things foi a performance que lançou a jovem (tinha apenas 11 anos quando a série foi rodada) Millie Bobby Brown para o estrelato (ou assim se espera) e ressuscitou a carreira de Winona Ryder, para além da revelação tardia do talento de David Harbour, isto aliado a um elenco juvenil talentoso e um suspense muito bem gerido ao longo da temporada, que se devorou rapidamente. Seguiu-se uma temporada claramente mais fraca e os criadores queixaram-se de ter feito tudo em cima do joelho. Continue reading “Stranger Things – Season 3”

Roma

Depois do sucesso obtido com Gravity, que lhe valeu o Oscar para melhor realizador (abrindo o caminho para quatro Oscars nesta categoria para mexicanos nos últimos cinco anos), Alfonso Cuarón resolveu fazer algo completamente diferente do seu íntimo, mas intenso, épico de ficção científica que tinha Sandra Bullock como protagonista e um orçamento milionário. Cuarón resolveu virar-se para dentro, para as memórias que guardava da sua infância na Cidade do México, e dessa ideia brotou Roma. Cuarón queria fazer simultaneamente o filme mais fidedigno possível à sua história de vida, mas também a uma época específica da sua cidade e país natais, e como tal não olhou a meios para fazer o filme mais mexicano possível. Sem grandes possibilidades de financiamento para um filme legendado ser lançado no mercado cinematográfico americano, Alfonso Cuarón teve a preciosa colaboração do cada vez mais importante Netflix, que investiu no filme e teve os direitos de distribuição do mesmo. E como tantas vezes no passado, a ubíqua plataforma norte-americana teve ouro nas mãos. Continue reading “Roma”

Altered Carbon

Todos os que me conhecem bem sabem que sou um enorme fã de cyberpunk. Foi portanto com bastante satisfação que soube que uma das séries que iria sair em 2018 no Netflix era a adaptação da aclamada obra de Richard K. Morgan, Altered Carbon. Criada por Laeta Kalogridis, a série parecia, a partir do exposto nos trailers, ter os ingredientes certos: atmosfera noir, com femme fatales e um caso para desvendar, violência e sexo em abundância, uma premissa interessante que nos leva a interrogar-nos acerca da nossa real identidade e do que a define, assimetrias e injustiças sociais, muita tecnologia. Enfim, o pacote completo para o fã de cyberpunk. Tinha tudo para resultar. Mas será que resultou mesmo? Continue reading “Altered Carbon”

Annihilation

Annihilation é o mais recente filme de Alex Garland, após uma estreia auspiciosa na cadeira de realizador com Ex Machina e de ter feito os argumentos para filmes como 28 Days Later, Sunshine e Dredd. Sendo fã de todos estes filmes e tendo adorado Ex Machina, era com elevadas expectativas que partia para Annihilation, um filme de ficção científica adaptado do primeiro livro de uma trilogia a cargo do talento emergente Jeff VanderMeer. Apesar de inicialmente previsto para ser lançado em cinemas por todo o mundo, uma discussão acerca do conteúdo do filme levou a uma divergência entre produtores (sendo que um queria o filme substancialmente mais simplificado), sendo o filme lançado no cinema apenas em três países (Estados Unidos, Reino Unido e Canadá), ficando a Netflix com os direitos para o resto do globo. O que apesar de prejudicar estatisticamente o filme a nível de bilheteira, acaba por lhe trazer uma maior margem de reconhecimento global, dado o crescimento em importância da Netflix nos últimos anos. Continue reading “Annihilation”

Mute

Depois de uma passagem pelo mundo do blockbusters em “Warcraft”, experiencia que deixou a Duncan Jones um amargo de boca, o realizador inglês regressa aos filmes sci fi de médio orçamento em “Mute”.  Este é um projecto bastante pessoal para Jones sendo uma história que queria filmar antes do filme de estreia “Moon” mas que só agora através do Netflix foi possível realizar. Em “Mute”, Leo (Alexander Skarsgård) é um Amish mudo que trabalha como barman num clube nocturno com ligações á máfia em Berlim algures no futuro. Quando Naadirah (Seyneb Saleh), a companheira de Leo desaparece, ele tem de navegar no submundo berlinense á sua procura. Em paralelo Cactus Bill (Paul Rudd) é um cirurgião ex-militar que está em Berlim de forma ilegal e tenta obter documentação para voltar para os Estados Unidos juntamente com a filha, e cuja história se vai cruzar com a de Leo.

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