Tenet

Foi com grande alegria que voltei aos cinemas (e ao formato IMAX), quebrando assim um interregno de mais de cinco meses privado de algo que tanto gosto, ver um filme numa sala de cinema. E que melhor proposta para esse regresso poderia existir do que o mais recente filme de um dos meus realizadores favoritos, Christopher Nolan.

Tenet prometia salvar a indústria do cinema, em crise devido à pandemia e praticamente limitada aos formatos digitais, mas seria o seu misto de James Bond com Memento, misturando alguma da magia visual de Inception, bem sucedido? Ou teríamos um retrocesso para Nolan depois do excelente (mas algo divisivo entre os fãs do realizador, pela temática e abordagem atípicas) Dunkirk?

Continue reading “Tenet”

Source Code (2011)

Aquando da minha review a Moon, já tinha mencionado o segundo filme da carreira de Duncan Jones, Source Code. Tendo revisto o filme recentemente, resolvi também aqui dar a minha opinião acerca de Source Code.

Depois de uma estreia brilhante e auspiciosa com Moon, eram enormes as expectativas geradas para ver se Jones confirmaria no seu segundo projecto todo o talento que Moon parecia augurar. Seria Source Code a afirmação de Jones ou uma desilusão? Continue reading “Source Code (2011)”

The Old Guard

Baseado na graphic novel homónima de Greg Rucka e com argumento do mesmo, The Old Guard tem sido o filme mais falado de Julho, beneficiando de dois factores, a falta de diversidade e de oferta nos cinemas devido à pandemia que afecta presentemente o mundo, sendo que nos Estados Unidos da América os cinemas ainda continuam fechados, e também da notoriedade cada vez maior da Netflix, que distribui o filme a nível global. Assim e graças à presente conjuntura, um filme que dificilmente seria notado em época normal passa a andar nas bocas do mundo. E a verdade é que, regra geral, tanto críticos como público pareciam gostar dos atributos de The Old Guard. Quanto a mim, o trailer parecia-me mostrar um filme de acção normalíssimo, algures na fronteira entre um Blade, um John Wick e um Atomic Blonde, mas sem muitas opções e com algum tempo livre, resolvi dar uma chance a The Old Guard. Continue reading “The Old Guard”

Relic

Elogiado pela maioria da crítica, mas a criar divisões entre os espectadores, Relic, uma produção australiana que marca a estreia da realizadora Natalie Erika James, tem sido um dos filmes mais falados neste último mês. Um filme de terror que prometia ter elementos em comum com dois dos filmes que mais marcaram o género na última década, The Babadook e Hereditary, Relic parecia ter rumo seguro em direcção ao sucesso, mas seriam as expectativas elevadas criadas em torno do filme prejudiciais à apreciação do espectador? Estaria Relic à altura do duo de clássicos do terror modernos aos quais é comparado? Continue reading “Relic”

Mr. Nobody (2009)

Continuam as salas de cinema fechadas, continuam também as minhas retro reviews e hoje trago-vos Mr. Nobody.

Saído em 2009, Mr. Nobody prometia muito e abordava temas muito do meu agrado, dentro do vasto campo da ficção científica. Desde o sentido da vida à teoria do caos, passando pela natureza do espaço, do tempo e do universo, incluindo um multiverso de realidades paralelas, Mr. Nobody continha todos os ingredientes para ser um bom filme de ficção científica. Para além disso, havia uma curiosa peculiaridade, o filme tinha um realizador belga (Jaco Van Dormael) e era uma co-produção de quatro países, e à já referida Bélgica, uniam-se Canadá, Alemanha e França, a que se somava um elenco internacional liderado por nomes como Jared Leto e Diane Kruger. Mas na prática, seria Mr. Nobody um bom filme ou apenas um desfile de conceitos? Continue reading “Mr. Nobody (2009)”

Snowpiercer (2013)

2020 é ano que viu cinemas encerrarem por causa da pandemia de coronavírus, mas também é o ano que consagrou o sul-coreano Bong Joon-ho e o seu Parasite nos Oscars, para surpresa de muitos. Aliando o reconhecimento da Academia à presente impossibilidade de me deslocar às salas de cinema, resolvi dar a minha opinião acerca de Snowpiercer, a primeira verdadeira incursão de Bong pelo cinema mais internacional e que lhe começou a dar maior notoriedade no Ocidente, e um filme de culto por seu próprio direito, tendo sido este ano lançada uma série baseada no filme. É ainda o regresso da minha parte a uma rubrica deste blog após um interregno de dois anos e meio, as retro reviews. Continue reading “Snowpiercer (2013)”

The Invisible Man

A mais recente adaptação de The Invisible Man, o clássico de ficção científica e terror de H. G. Wells, teve uma breve, mas bem sucedida passagem pelos cinemas, mas a pandemia de coronavírus que grassa pelo mundo fez com que a Universal Pictures tivesse de encontrar alternativas para vender o seu produto. E foi assim que acabei a ver The Invisible Man no conforto do lar. Continue reading “The Invisible Man”

The Gentlemen

O mais recente filme de Guy Ritchie chegou aos cinemas. E com a chegada de The Gentlemen chegava também a promessa de um Ritchie de volta à sua melhor forma, depois de uma grande quantidade de tropeções e equívocos, dos quais se salientam King Arthur: Legend of the Sword na enésima adaptação da história do lendário rei britânico e também a versão live action de Alladin para a Disney. O elenco era forte e o enquadramento no submundo do crime britânico davam-me a expectativa de voltarmos a ter o Ritchie que desaparecera, em boa parte, vinte anos antes com o lançamento do filme que mais facilmente lhe associamos, Snatch. Mas seriam as expectativas correspondidas na prática? Ainda seria Guy Ritchie capaz de reproduzir o estilo de um filme com perto de duas décadas e fazê-lo funcionar em 2020? Continue reading “The Gentlemen”

Birds of Prey

Quase quatro anos após o lançamento do criticamente mal recebido Suicide Squad, eis que surge uma sequela. Mas a polémica estava à espreita.

Apesar de contar com a personagem mais popular de Suicide Squad (Harley Quinn) como protagonista, Birds of Prey prometia lançar a divisão nos espectadores sob vários aspectos, sendo o mais flagrante o assumido foco num elenco maioritariamente feminino. Que público-alvo pretenderia então atingir Birds of Prey, tendo em conta que boa parte dos leitores (e espectadores) de comics são do sexo masculino? Os trailers não me tinham parecido nada promissores, mas as notas e boas críticas começaram a aparecer, para minha surpresa, despertando um interesse que até então não tinha tido no filme. E foram-se acumulando e acumulando… até que chegou a hora de ver o filme. Continue reading “Birds of Prey”

1917

1917 é o mais recente filme de Sam Mendes e considerado um dos mais fortes candidatos ao triunfo nos Oscars dentro de menos de um mês. Baseado em histórias contadas pelo avô de Mendes, que foi um mensageiro do exército britânico na Primeira Grande Guerra, 1917 prometia muito, em especial com o genial Roger Deakins como responsável pela fotografia do filme. E os prémios que foi acumulando, bem como os elogios generalizados da crítica faziam abrir o apetite. Foi com alguma antecipação que fui ao cinema ver 1917, portanto. Seria correspondida ou sairia desiludido? Continue reading “1917”