Jacob’s Ladder (1990)

Hora de mais uma retro review, e desta feita para abordar um filme que, apesar de ter apresentado várias inovações no campo do terror e dos thrillers, parece ter caído um pouco no esquecimento. Eu próprio só me relembrei de Jacob’s Ladder a propósito da minha muito recente crítica a The Third Day, a série que tem Jude Law como protagonista, em especial em relação à primeira metade da mesma, em que estamos inseguros em relação àquilo que nos é mostrado. É real, imaginado ou sonhado? Mas foi com este filme de Adrian Lyne de 1990, com Tim Robbins como protagonista, que este tipo de enredos, que muito aprecio e que serviram de assumida inspiração para a marcante saga de videojogos Silent Hill, tiveram a sua génese. Mas seria tudo perfeito no filme de Lyne, que servia de seguimento ao muito mais notório Fatal Attraction, ou algumas marcas dos trinta anos decorridos desde que foi lançado seriam evidentes? Continue reading “Jacob’s Ladder (1990)”

The Third Day

Uma co-produção da HBO e da Sky Atlantic, The Third Day é uma mini-série que prometia trazer a atmosfera de clássicos como The Wicker Man, a versão original e não a de Nicolas Cage. Contando com um orçamento significativo e um elenco ambicioso e recheado de valores e nomes mais ligados ao cinema, encabeçados por Jude Law, The Third Day apostava também na inovação da sua estrutura. A série apresentava duas trilogias de episódios (Verão e Inverno), intercalados pela momento de maior originalidade da série, um evento em directo com a duração contínua de doze horas (Outono). Mas seria que a série resultaria dentro do seu formato pouco convencional? Ou haveria um conflito entre o tom da primeira trilogia e da segunda, que seriam dirigidas por dois realizadores distintos (Marc Munden dirigiria o Verão e Phillipa Lowthorpe o Inverno)? Continue reading “The Third Day”

The VVitch (2015)

Em véspera de Dia das Bruxas, que escolha poderia ser melhor para a minha próxima retro review do que The Witch, um dos filmes de terror mais falados e discutidos da última década. Recebido com elevados louvores a nível crítico, mas causador de alguma divisão e controvérsia entre o público, The Witch revelou-se inicialmente no festival de Sundance de 2015, lançando as carreiras do realizador Robert Eggers, que entretanto lançou o igualmente muito falado The Lighthouse, e da actriz principal Anya Taylor-Joy. Mas seria The Witch merecedor das loas dos críticos? Continue reading “The VVitch (2015)”

Raised by Wolves – Season 1

Provavelmente a série que mais anda na boca do mundo neste preciso momento, Raised by Wolves é a série porta-estandarte da plataforma HBO Max e conta com o carimbo do veterano Ridley Scott, que deambula uma vez mais no campo da ficção científica, mais especificamente voltando a incidir sobre as potencialidades da inteligência artificial e das relações e pontos de vista da humanidade em relação a esta, como já havia ocorrido em obras anteriores do autor, como o clássico Blade Runner ou o mais recente Prometheus (e a sua sequela Alien: Covenant). Desta feita, no entanto, Scott iria ser “apenas” o realizador dos dois primeiros episódios (e o seu filho Luke realizaria outros três), o que por si só já daria notoriedade a Raised by Wolves, mas também produtor executivo da série criada por Aaron Guzikowski, o argumentista do brilhante Prisoners de Denis Villeneuve. Estavam portanto criados os ingredientes para uma série potencialmente cativante, com um orçamento bem acima da média, claramente ilustrado no impressionante material promocional. Mas Ridley Scott nem sempre está à altura do seu passado ilustre, como se vira por exemplo no já mencionado Alien: Covenant. Seria Raised by Wolves mais um dispendioso falhanço? Continue reading “Raised by Wolves – Season 1”

Dune (1984)

A mais recente adaptação do épico de ficção científica de Frank Herbert, Dune, está quase a chegar aos cinemas (se a pandemia o permitir) pelas mãos de Denis Villeneuve, que nos trouxe Arrival e Blade Runner 2049. Neste contexto, não poderia existir melhor altura do que esta para escolher para a mais recente retro review a controversa e divisiva adaptação de Dune feita pelo notório mestre do surrealismo, David Lynch, em 1984. Horrivelmente recebido pela crítica contemporânea e alvo de críticas do próprio realizador, o Dune de 1984 tem também uma acérrima legião de fãs que fazem com que a obra de Lynch tenha um estatuto de filme de culto. Mas em que campo me encontraria eu? Ou estaria algures no meio de opiniões tão polarizadas acerca de um filme? Continue reading “Dune (1984)”

Tenet

Foi com grande alegria que voltei aos cinemas (e ao formato IMAX), quebrando assim um interregno de mais de cinco meses privado de algo que tanto gosto, ver um filme numa sala de cinema. E que melhor proposta para esse regresso poderia existir do que o mais recente filme de um dos meus realizadores favoritos, Christopher Nolan.

Tenet prometia salvar a indústria do cinema, em crise devido à pandemia e praticamente limitada aos formatos digitais, mas seria o seu misto de James Bond com Memento, misturando alguma da magia visual de Inception, bem sucedido? Ou teríamos um retrocesso para Nolan depois do excelente (mas algo divisivo entre os fãs do realizador, pela temática e abordagem atípicas) Dunkirk?

Continue reading “Tenet”

Fear the Walking Dead – Season 5

(Esta review contém alguns spoilers ligeiros para quem não viu as temporadas anteriores, tanto de Fear the Walking Dead como de The Walking Dead)

O entusiasmo, ou falta dele, que a quarta temporada de Fear the Walking Dead (em especial a desastrosa segunda metade) tinham deixado em mim traduziram-se em demorar quase um ano a ver e finalmente avaliar a quinta temporada da série. Mas não foi o único motivo, uma vez que comecei a ver a série precisamente há 14 meses… e como podem depreender, tive problemas com a temporada em si que fizeram com que o visionamento da mesma só tivesse terminado há poucos dias atrás. Mas já vamos aprofundar alguns dos aspectos que falharam, uma vez mais, na mais recente temporada do spin-off de The Walking Dead. Continue reading “Fear the Walking Dead – Season 5”

Source Code (2011)

Aquando da minha review a Moon, já tinha mencionado o segundo filme da carreira de Duncan Jones, Source Code. Tendo revisto o filme recentemente, resolvi também aqui dar a minha opinião acerca de Source Code.

Depois de uma estreia brilhante e auspiciosa com Moon, eram enormes as expectativas geradas para ver se Jones confirmaria no seu segundo projecto todo o talento que Moon parecia augurar. Seria Source Code a afirmação de Jones ou uma desilusão? Continue reading “Source Code (2011)”

The Old Guard

Baseado na graphic novel homónima de Greg Rucka e com argumento do mesmo, The Old Guard tem sido o filme mais falado de Julho, beneficiando de dois factores, a falta de diversidade e de oferta nos cinemas devido à pandemia que afecta presentemente o mundo, sendo que nos Estados Unidos da América os cinemas ainda continuam fechados, e também da notoriedade cada vez maior da Netflix, que distribui o filme a nível global. Assim e graças à presente conjuntura, um filme que dificilmente seria notado em época normal passa a andar nas bocas do mundo. E a verdade é que, regra geral, tanto críticos como público pareciam gostar dos atributos de The Old Guard. Quanto a mim, o trailer parecia-me mostrar um filme de acção normalíssimo, algures na fronteira entre um Blade, um John Wick e um Atomic Blonde, mas sem muitas opções e com algum tempo livre, resolvi dar uma chance a The Old Guard. Continue reading “The Old Guard”

Relic

Elogiado pela maioria da crítica, mas a criar divisões entre os espectadores, Relic, uma produção australiana que marca a estreia da realizadora Natalie Erika James, tem sido um dos filmes mais falados neste último mês. Um filme de terror que prometia ter elementos em comum com dois dos filmes que mais marcaram o género na última década, The Babadook e Hereditary, Relic parecia ter rumo seguro em direcção ao sucesso, mas seriam as expectativas elevadas criadas em torno do filme prejudiciais à apreciação do espectador? Estaria Relic à altura do duo de clássicos do terror modernos aos quais é comparado? Continue reading “Relic”