Watchmen (2019)

Em 1987, Alan Moore e Dave Gibbons completavam um dos momentos mais marcantes da história dos comics, Watchmen. Amoral e existencialista, a obra escrita por Moore assentava principalmente na desconstrução da figura do super-herói, assinalando uma viragem no mundo dos comics, rumo a uma maturidade nunca antes vista (algo que também teve o contributo de Frank Miller e o seu tratamento de Batman, quase contemporaneamente). Duas décadas depois, Zack Snyder adaptou, de forma razoavelmente fiel, a obra ao cinema. Moderadamente bem recebida por fãs e críticos, a versão cinematográfica de Snyder pecava por alguns pecados de casting (em especial com Ozymandias e Silk Spectre II), mas brilhava no campo dos efeitos especiais e da estética. Continue reading “Watchmen (2019)”

Melhores Filmes de 2019 – Top 10

O top 10 que se segue tem em conta os seguintes factores:
– tal como habitual, estão excluídos do meu top filmes que estrearam em Portugal em 2019, mas nos Estados Unidos em 2018, o que deixa de fora da lista filmes que vi no início do ano, excluindo por exemplo Green Book e The Favourite, que teriam boas chances de entrar no top;
– vi 22 filmes este ano, menos um do que no ano passado, mas infelizmente como consequência do ponto anterior ficam fora da lista filmes que só terão estreia por terras lusas em 2020, muito em especial um filme que aguardo com alguma antecipação, 1917 de Sam Mendes e dois filmes que não têm sequer estreia prevista, Parasite e The Lighthouse… tempos difíceis este ano;
– se acharem que um filme foi muito bom, mas não está no top, provavelmente não o vi (ou não o achei tão bom como vocês);
– a ordem pela qual os filmes se encontram e os filmes que estão na lista são da minha exclusiva responsabilidade e reflectem apenas e só a minha opinião (são livres de ter opinião diferente, desde que mantenham o respeito);
– anexado a cada filme neste top vou meter um link para a respectiva review. Continue reading “Melhores Filmes de 2019 – Top 10”

Marriage Story

Que ano para a Netflix, que apresenta três fortes candidatos a melhor filme do ano, com The Irishman, The Two Popes e com este Marriage Story, já depois de um excelente 2018 com Roma. O poder da plataforma digital aumenta a cada ano que passa, arrastando para debaixo da sua asa nomes cada vez maiores, tanto a nível de direcção como de actores. Mas será que depois de uma derrota algo inesperada nos Oscars para Roma, é este ano que temos vencedor para a Netflix, mostrando que o cinema tradicional está, a pouco e pouco, a perder terreno para as novas tecnologias? Do leque de três filmes que já reinam sobre as nomeações aos Globos de Ouro, Marriage Story parece ser o menino mais bonito para a crítica, com superlativos elogios aos actores, argumento e direcção. Estaria eu de acordo com a maioria das opiniões ou seria Marriage Story apenas um filme mais louvado do que merece e sem nada de novo a acrescentar? Continue reading “Marriage Story”

Star Wars: The Rise of Skywalker

Se bem se recordam, fui das poucas pessoas que gostou de The Last Jedi em 2017. Mas nunca duvidei por um momento que as razões pelas quais muitos odeiam o filme (e eu apreciei), nomeadamente as múltiplas e controversas alterações que certas personagens sofrem, bem como o facto de algumas das escolhas tomadas por Rian Johnson serem extremamente drásticas e irreversíveis. Já nessa altura se antevia que J. J. Abrams teria uma tarefa hercúlea pela frente de modo a fazer um filme que ainda fizesse sentido depois de The Last Jedi… e este era o problema primário… O problema secundário, mas não menos importante, foi o modo como a maior parte dos fãs de Star Wars quase renegaram o filme de Rian Johnson, colocando a Disney, na figura da controversa Kathleen Kennedy e também Abrams, entre a espada e a parede. Como fazer um filme simultaneamente com lógica, mas seguro, sem poder apagar o desvio de rota que Johnson tinha efectuado em The Last Jedi? Como fechar uma trilogia com sucesso? Seria o nono filme da saga Skywalker um presente envenenado? Continue reading “Star Wars: The Rise of Skywalker”

The Irishman

Treze anos após The Departed, aquele que é considerado por muitos como um dos maiores génios da história do cinema norte-americano moderno está de regresso aos filmes sobre o submundo mafioso. O novo de filme de Martin Scorsese, The Irishman, é um antigo projecto que foi adiado incontáveis vezes, até que finalmente Scorsese decidiu que tinha ao seu dispor a tecnologia necessária para usar sempre os mesmos actores, sem nunca precisar de colocar um actor mais jovem a interpretar o papel. E que melhor elenco poderia ter Scorsese. Ao inevitável Robert De Niro no papel de protagonista, juntavam-se Al Pacino (incrivelmente a ser dirigido pela primeira vez por Scorsese, quase aos 80 anos) e um velho conhecido de clássicos como Goodfellas e Casino, o inconfundível Joe Pesci, que voltou ao activo após longo interregno para não perder a chance de trabalhar novamente com Scorsese. Continue reading “The Irishman”

Ford v Ferrari

Depois do sucesso com Logan, chegou a altura de James Mangold tentar a sua sorte com um filme com mais possibilidades de ser premiado. Em Ford v Ferrari (ou Le Mans ’66 em boa parte da Europa), Mangold dispunha de dois grandes nomes como Christian Bale e Matt Damon e, claro, o facto de ser uma história baseada em factos verídicos costuma ser uma boa ajuda. Qual seria o resultado final? Seria Ford v Ferrari um filme vencedor? Continue reading “Ford v Ferrari”

Doctor Sleep

Em 1980, via a luz do dia aquele que é, a meu ver, o melhor filme de terror da história. Baseado na obra homónima de Stephen King (mas com um argumento que extirpa muitos dos seus Kingismos), e com a direcção do genial Stanley Kubrick, The Shining é um marco na história do cinema e também na minha vida. Cravejado de imagens, sons e frases marcantes, e contando com um Jack Nicholson extraordinário no papel do protagonista Jack Torrance, é quase impossível algum filme chegar aos calcanhares de The Shining. Um filme que exsuda qualidade e inquietude… mas que, curiosamente, o rei do terror, talvez incomodado por tantas mudanças à sua obra e ao espírito da mesma, sempre desdenhou. O livro de King era bom, mas o filme de Kubrick foi superlativo, transcendendo fronteiras de género e nicho. Seria quase sacrilégio fazer uma sequela. Continue reading “Doctor Sleep”