Into the Wild (2007)

Recentemente fiz aqui a review a Nomadland, considerado o maior favorito a vencer o Oscar de Melhor Filme este ano. Em 2007, outro filme, que viria a tornar-se um filme de culto, abordava temáticas muito similares às de Nomadland, mas fazia-o de um modo mais convencional e que permitia uma maior conexão entre a maioria dos espectadores e o protagonista. Esse filme é Into the Wild. Continue reading “Into the Wild (2007)”

Zack Snyder’s Justice League

O ano é 2016. Abalados pelo insucesso de Batman v. Superman: Dawn of Justice, Zack Snyder e os produtores da Warner Bros. resolvem fazer uma correcção em relação aos seus planos iniciais relativamente a Justice League, em resposta às críticas recebidas. Assim, Snyder e Chris Terrio reescreveram o argumento de Justice League, aligeirando um pouco o tom, acrescentando algum humor, mas com moderação. Simultaneamente a Warner Bros. contrata também Geoff Johns e Jon Berg para fazerem no DCEU o papel que Kevin Feige tem no MCU, organizando e planeando os diferentes filmes do universo cinemático, ajudando também com o argumento de Justice League, procurando fazer em poucos meses o que Feige tinha levado anos a afinar… Ao fim de alguns meses de filmagens e edição, Zack Snyder completou então cerca de 90% do filme que tinha planeado, mas o corte apresentado a uma audiência de teste é longo, passando claramente as três horas, e mal recebido.

Chega 2017 e os alarmes soam na Warner Bros., Continue reading “Zack Snyder’s Justice League”

Minari

O cinema sul-coreano teve, há pouco mais de um ano, a sua consagração internacional com Parasite, o grande triunfador da última edição dos Oscars. E Minari poderá suceder-lhe dentro de um mês, cimentando a afirmação do país como potência do cinema no século XXI.

Uma produção americana, com o dedo da A24 e da Plan B, realizado por Lee Isaac Chung, nado e criado nos Estados Unidos, mas etnicamente coreano, Minari foi alvo de uma polémica recente nos Globos de Ouro, sendo excluído da corrida para melhor drama por não cumprir a obrigatoriedade de ser falado maioritariamente em inglês. No entanto, acabou por vencer previsivelmente, dado o buzz que o rodeia, o prémio para melhor filme em língua estrangeira. Felizmente estas regras não se aplicam nos Oscars, onde Minari é considerado um dos mais fortes candidatos à vitória, logo depois de Nomadland… Mas qual seria a minha opinião acerca de um dos filmes mais badalados do ano? Já tinha divergido da maioria dos críticos em relação ao já mencionado Nomadland, aconteceria o mesmo com Minari? Continue reading “Minari”

I’m Thinking of Ending Things

Charlie Kaufman, um dos reis do existencialismo e surrealismo no cinema moderno, está de regresso com o seu mais recente filme, I’m Thinking of Ending Things. Uma adaptação do thriller psicológico com o mesmo nome da autoria de Iain Reid, que causou sensação em 2016, I’m Thinking of Ending Things prometia manter-se fiel aos temas mais queridos de Kaufman, gostos que eu pessoalmente partilho. Mas seria a mais recente obra de Kaufman do agrado de todos, incluindo pessoas não tão familiarizadas com a obra do autor, bem como os fãs mais acérrimos do livro? Kaufman é por vezes acusado de fazer um filme mais direccionado a ele próprio do que para o público em geral… seria I’m Thinking of Ending Things mais um desses casos? Continue reading “I’m Thinking of Ending Things”

They Live (1988)

Com os avanços das novas tecnologias e redes sociais, todo um manancial de informação ficou à disposição do mais comum dos mortais… mas muitas vezes sem os filtros (e conhecimentos) para distinguir o que é real e o que é fantasia. Esta dissonância dos dias de hoje levou a que as teorias de conspiração, que sempre existiram, ganhassem novo fôlego. Continue reading “They Live (1988)”

Soul

Não há fome que não dê em fartura. Depois de ter visto Wolfwalkers, segue-se o outro filme de animação que se destacou em 2020, Soul, o mais recente filme da Pixar. Dirigido por Pete Docter, o actual líder criativo dos estúdios e realizador de sucessos como Up e Inside Out (que lhe valeram dois Oscars), Soul era o primeiro filme da Pixar com um protagonista afro-americano e também, após sucessivos adiamentos, o primeiro filme de animação a ser lançado exclusivamente na plataforma de streaming Disney+. Continue reading “Soul”

Wolfwalkers

Há mais de quatro anos que não fazia aqui a review a um filme de animação, desde o excelente Kubo and the Two Strings dos estúdios Laika, e estando em tempos de crise, com novo encerramento dos cinemas e um leque pouco variado de filmes disponíveis, resolvi dar uma chance a um dos filmes mais bem cotados do ano, Wolfwalkers, lançado em modo digital globalmente em Dezembro de 2020 no serviço de streaming online Apple TV+. Continue reading “Wolfwalkers”

Nomadland

Em 2017, Chloé Zhao, uma jovem realizadora chinesa radicada nos Estados Unidos, começou a chamar a atenção do mundo do cinema com a sua segunda longa-metragem The Rider, que tal como o seu filme de estreia Songs My Brothers Taught Me, contava com um elenco totalmente amador composto predominantemente por nativos americanos da Reserva de Pine Ridge.

Após The Rider, as ofertas começaram a chover e, quase simultaneamente, Zhao ficou com dois projectos diametralmente opostos nas mãos. Um deles é o ambicioso Eternals, uma aposta forte da Marvel Studios com lançamento previsto para o final de 2021, e o outro, Nomadland, baseado num livro de Jessica Bruder (Nomadland: Surviving America in the Twenty-First Century), um projecto minimalista que teria mais em comum com as obras anteriores de Zhao, produzido e protagonizado pela talentosa Frances McDormand. Quando Nomadland arrebatou críticos e triunfou nos Festivais de Veneza e Toronto, estando cotado como um dos melhores filmes de 2020, Chloé Zhao parecia ter Hollywood aos seus pés como poucas realizadoras têm tido. Mas seria Nomadland um filme tão perfeito como todos os louvores recebidos pareciam fazer crer? Continue reading “Nomadland”

Wonder Woman 1984

Em 2017, Wonder Woman relançava o DC Extended Universe, depois de vários passos em falso (apesar de não ter sido o derradeiro mau movimento do universo cinemático da DC sob a alçada da Warner Bros.). Muito elogiado tanto pela crítica, como pelo público, Wonder Woman parecia anunciar uma nova era para a DC na fase pós-trilogia Nolan e, simultaneamente, afirmava Gal Gadot como tendo potencial para o estrelato e Patty Jenkins como uma das mais promissoras realizadoras de Hollywood, ganhando um poder que poucos poderiam adivinhar em 2017 e abrindo caminho para uma potencial afirmação do olhar feminino na meca do cinema. E assim Jenkins tornou-se uma das realizadoras mais bem pagas de Hollywood, tendo a Disney entregue nas suas mãos as rédeas do seu próximo filme na série Star Wars Anthology, Rogue Squadron, com estreia prevista para 2023. Continue reading “Wonder Woman 1984”

Mank

Seis anos após o lançamento de Gone Girl, eis que David Fincher volta ao grande ecrã e a sua mais recente obra, Mank, já é apontada como uma das maiores candidatas à vitória nos prémios da Academia, podendo potencialmente dar o primeiro Oscar de Melhor Realizador a um dos mais notórios e amados realizadores dos últimos trinta anos, consagração que lhe escapou há uma década por The Social Network. Curiosamente, Mank leva-nos aos bastidores da criação de Citizen Kane, que apesar de ser considerado por muitos como o melhor filme alguma vez feito, recebeu apenas um Oscar, precisamente o de argumento, repartido entre Herman J. Mankiewicz e Orson Welles. Alguns paralelismos com a história pessoal de Fincher, talvez? Continue reading “Mank”