Creed II

O ano era 2015 e a longa franchise Rocky, com quase quarenta anos, iria ter um novo filme. Uma vez que seria cada vez menos credível utilizar o quase septuagenário Sylvester Stallone como protagonista, os argumentistas e produtores (um dos quais o próprio Stallone) resolveram pegar numa ideia nova, utilizar o filho de Apollo Creed, inicialmente rival e depois amigo de Rocky nos filmes da saga, para pegar no manto do seu pai e simultaneamente de Balboa. O filme foi bastante bem sucedido, com Ryan Coogler ao leme e Michael B. Jordan como protagonista (dupla que também havia funcionado em Fruitvale Station, que revelou ambos, e resultaria novamente em 2018 com Black Panther), e foi um dos meus favoritos em 2015. Mas chegava a vez da sequela e o caminho trilhado parecia o mais fácil e previsível possível. Para além disso, Coogler não regressava à cadeira de director (e o argumento do primeiro Creed também era dele), mas sim o muito mais inexperiente Steven Caple Jr., ao passo que o argumento seria de Stallone. O nariz torceu-se imediatamente e os trailers não fizeram muito para me convencer que iriam estragar o que tinham feito anteriormente no filme de 2015. Faltava só ver o filme e foi isso que fiz. Continue reading “Creed II”

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Bumblebee

Transformers, uma das séries de animação favoritas da minha infância durante os anos 80, teve a sua primeira adaptação ao cinema há 11 anos. Mas Michael Bay era o realizador, contaminando a franchise com os seus Bayismos (toneladas de explosões, acção rápida e confusa, mulheres bonitas em roupa reveladora, argumentos básicos e sem personalidade e humor de péssimo gosto), que foram piorando a cada filme que se ia passando. Com as críticas a crescerem de tom e as audiências, outrora incríveis (tendo em conta a baixa qualidade do produto), em quebra com o quinto filme de Bay, saído em 2017 (Transformers: The Last Knight), eis que tínhamos a promessa de algo diferente com Bumblebee. Apesar de Bay se manter como produtor, a direcção seria entregue a Travis Knight, que se havia salientado nos estúdios Laika, estreando-se na realização com o excelente e laborioso Kubo and the Two Strings. Para além disso, não seria um spin-off, mas sim uma prequela (ainda mantenho a esperança que seja um reboot) que se iria passar nos anos 80. Os trailers confirmaram as boas expectativas, com os famosos robots a apresentarem designs mais fiéis aos originais. Seria desta que veria finalmente um filme condigno de uma das minhas paixões mais antigas? Continue reading “Bumblebee”

Melhores filmes de 2018 – Top 10

O top 10 que se segue tem em conta os seguintes factores:

– tal como habitual, estão excluídos do meu top filmes que estrearam em Portugal em 2018, mas nos Estados Unidos em 2017, o que deixa de fora da lista filmes que vi no início do ano, entre os quais “Three Billboards Outside Ebbing, Missouri”, “The Shape of Water” e “The Killing of a Sacred Deer”, todos estes filmes teriam boas chances de entrar no top.
– vi 23 filmes este ano, menos um do que no ano passado, mas infelizmente como consequência do ponto anterior ficam fora da lista filmes que só terão estreia por terras lusas em 2018 e que tinham boas hipóteses em teoria de serem mencionados (“Green Book”, “The Favourite”, “The Mule”, “Destroyer”, “Vice”, etc.);
– se acharem que um filme foi muito bom, mas não está no top, provavelmente não o vi (ou não o achei tão bom como vocês);
– a ordem pela qual os filmes se encontram e os filmes que estão na lista são da minha exclusiva responsabilidade e reflectem apenas e só a minha opinião (são livres de ter opinião diferente, desde que mantenham o respeito);
– anexado a cada filme neste top vou meter um link para a respectiva review.

A contagem começa: Continue reading “Melhores filmes de 2018 – Top 10”

Roma

Depois do sucesso obtido com Gravity, que lhe valeu o Oscar para melhor realizador (abrindo o caminho para quatro Oscars nesta categoria para mexicanos nos últimos cinco anos), Alfonso Cuarón resolveu fazer algo completamente diferente do seu íntimo, mas intenso, épico de ficção científica que tinha Sandra Bullock como protagonista e um orçamento milionário. Cuarón resolveu virar-se para dentro, para as memórias que guardava da sua infância na Cidade do México, e dessa ideia brotou Roma. Cuarón queria fazer simultaneamente o filme mais fidedigno possível à sua história de vida, mas também a uma época específica da sua cidade e país natais, e como tal não olhou a meios para fazer o filme mais mexicano possível. Sem grandes possibilidades de financiamento para um filme legendado ser lançado no mercado cinematográfico americano, Alfonso Cuarón teve a preciosa colaboração do cada vez mais importante Netflix, que investiu no filme e teve os direitos de distribuição do mesmo. E como tantas vezes no passado, a ubíqua plataforma norte-americana teve ouro nas mãos. Continue reading “Roma”

Hereditary

Nos últimos anos, temos assistido a um fenómeno interessante: quase todos os anos sem excepção tem saído pelo menos um filme que pode ser definido com arthouse horror. Após filmes como The Babadook (2014), It Follows (2014), The Witch (2015), Get Out (2017), It Comes at Night (2017) em que se junta o talento óbvio de realizadores praticamente estreantes ao apelo alternativo dos filmes que lançaram, muitas vezes fugindo às fórmulas repetidas até à exaustão no passado, eis que nos chega o primeiro filme de Ari Aster, Hereditary, para levar a marca de filme de terror a ver em 2018 (A Quiet Place que também marca a estreia de John Krasinski também pode merecer esse tipo de louvores, mas acaba por ser um filme menos controverso). Aster já se tinha salientado na suas duas curtas-metragens, The Strange Thing About the Johnsons e Munchausen, mas faltava saber como se comportaria num filme com mais de duas horas. Por outro lado, com Hereditary houve um claro fosse entre críticos (que adoraram o filme em geral) e audiências (que detestaram o filme), algo que já ocorrera por exemplo com The Babadook e The witch. E assim, com cerca de seis meses de atraso em relação ao resto do mundo, parti à descoberta daquele que alguns críticos proclamam ser o novo The Exorcist. Continue reading “Hereditary”

Aquaman

Um ano após o desastre que foi Justice League, Aquaman, o sexto filme do DC Extended Universe era o filme decisivo para a Warner Brothers em relação ao futuro do universo partilhado da DC. O meu pessimismo era grande, até porque até agora nenhum filme tinha feito exactamente o clique para mim, mesmo os mais bem recebidos como Wonder Woman ou Man of Steel, mas também porque os trailers, um dos quais uma cena completa do filme que decorre no Sahara, não me tinham dito nada, o humor parecia forçado e o filme construía aparentemente os seus alicerces nos atractivos físicos de Jason Momoa (e Amber Heard), bem como num festival de imagens geradas por computador. Para além disso, não tinha ficado particularmente impressionado com o personagem em Justice League, que parecia pouco mais que um surfista cool. Então começaram a chegar as primeiras reviews e fiquei surpreendido por ver que em geral eram positivas… De mente um pouco mais aberta, lá parti eu à aventura. Continue reading “Aquaman”

A Star is Born

A Star is Born é o terceiro remake de um original de 1937 (em que os protagonistas eram actores e não músicos), que já tinha tido remakes em 1954 (de George Cukor, com James Mason e Judy Garland) e 1976 (com Kris Kristofferson e Barbra Streisand). Eis que chega o século XXI e surge a ideia de voltar a refazer a mesma história. Mas o que conseguiriam trazer de novo a uma história já batida do ídolo em queda que descobre um talento que acaba por eclipsá-lo. Após ter estado no limbo de Hollywood durante anos, o filme foi deixado nas mãos do actor Bradley Cooper para o dirigir, interpretar e escrever também o argumento (com o auxílio de Eric Roth e Will Fetters). Com o atractivo adicional de ter a diva da pop Lady Gaga como co-protagonista e pela primeira vez com um papel tão importante enquanto actriz, o filme não me chamou inicialmente a atenção, parecendo apenas um dos fenómenos de popularidade de 2018… qual não é o meu espanto quando, após mais de dois meses nas salas de cinema é um dos filmes mais bem cotados nas nomeações dos Globos de Ouro e concomitantemente, um dos maiores candidatos aos Oscars. E lá fui eu, ver aquilo de que toda a gente anda a falar… e sim, a sala estava bem composta e era segunda à noite e o filme estava como já disse há dois meses em exibição. Continue reading “A Star is Born”